Ao confundir um simples ajuste contábil interno com "repasse de verbas", site Entre Rios 24Hrs demonstra desconhecimento básico de administração pública e cria narrativa falsa sobre R$ 100 mil.
O jornalismo sério exige, antes de tudo, a capacidade de apurar os fatos. Porém, uma postagem recente da página Entre Rios 24Hrs expôs um preocupante nível de despreparo técnico ao tentar noticiar atos da administração de Cardeal da Silva.
Na publicação, o site afirma de forma alarmista que um decreto publicado "no apagar das luzes" estaria "remanejando" mais de R$ 100 mil para a Câmara Municipal, questionando:
Diante desse cenário, a pergunta que ecoa entre moradores é: 👉 por que remanejar mais de R$ 100 mil para a Câmara neste momento?
A decisão favorece apenas o funcionamento interno ou faz parte de uma estratégia administrativa maior?
O problema? A denúncia é baseada em uma leitura completamente errada do documento.
O Erro Crasso: Falta de Conhecimento Técnico
A página baseou sua "denúncia" no Decreto nº 40-CM/2025. Qualquer pessoa com conhecimento mínimo de gestão pública, ou que se dê ao trabalho de ler o documento até o final, perceberia que não houve entrada de dinheiro novo na Câmara, nem retirada de verbas da Prefeitura.
O documento trata de uma suplementação por anulação de dotação. Ao analisar a tabela de "Dotações Anuladas" no próprio decreto, vê-se claramente a origem do recurso: Unidade 1.01.01 - CÂMARA MUNICIPAL.
Ou seja: o dinheiro já estava no orçamento da Câmara. O Legislativo apenas cancelou verbas que estavam paradas em rubricas como "Serviços de Consultoria" (R$ 70.000,00) e "Sentenças Judiciais" (R$ 4.000,00) para cobrir a folha de pagamento dos servidores ("Vencimentos e Vantagens Fixas").
Desinformação gera revolta infundada
Ao afirmar que a decisão levanta debates sobre "prioridades" como saúde e educação, o site induz o leitor ao erro. A Prefeitura não poderia pegar o dinheiro do orçamento da Câmara para tapar buraco de rua ou comprar remédio por meio deste decreto, pois trata-se de verba do Legislativo (o famoso duodécimo), que tem gestão independente.
O que ocorreu foi apenas uma organização interna: a Câmara tirou do de um lugar que já era dela (consultorias não usadas) para usar em outro (salários).
Jornalismo requer responsabilidade
Publicar denúncias recebidas de terceiros sem a devida checagem técnica é um desserviço à população. O caso revela que, na ânsia de criar um "furo" ou polêmica, a página ignorou os dados técnicos explícitos no documento oficial.
Fica o alerta: documentos públicos como o Diário Oficial não aceitam "achismos". Eles exigem leitura técnica. Quando a imprensa não sabe interpretar o que lê, quem perde é o cidadão, que é alimentado com Fake News travestida de denúncia.
Por isso, o Alô Entre Rios nasceu com essa pegada de mostrar sempre a verdade dos fatos e não meras conjunturas, que atendem aos interesses de poucos. Viemos para fazer jornalismo com qualidade.
