Falha da Prefeitura na frequência escolar põe Bolsa Família em risco em Entre Rios

Por Alô Entre Rios em domingo, 18 de janeiro de 2026


Milhares de beneficiários do Bolsa Família em Entre Rios/BA podem ter uma surpresa desagradável nos próximos meses, não por culpa própria, mas por ineficiência da gestão municipal. Um relatório oficial do Ministério do Desenvolvimento Social aponta que a Secretaria de Educação do município não está conseguindo informar a frequência escolar de grande parte dos alunos, deixando as famílias vulneráveis a bloqueios e suspensões do benefício.

O Perigo do "Sem Informação"

Para receber o Bolsa Família, a criança precisa frequentar a escola. É obrigação da Prefeitura coletar essa presença e enviar para Brasília. 

No entanto, em Entre Rios, a TAFE - Taxa de Acompanhamento de Frequência Escolar). está em apenas 68,1%, muito abaixo da média nacional de 87,7%. Isso significa que 1.901 crianças e adolescentes estão indo para a escola, mas a Prefeitura não está informando isso ao Governo Federal.

Para o sistema do Ministério em Brasília, essas crianças estão num "limbo". Quando a falta de informação persiste, o sistema entende que pode haver uma irregularidade (como abandono escolar ou mudança de cidade) e aciona a Averiguação Cadastral.

O Beneficiário Paga a Conta

O resultado prático dessa falha administrativa recai sobre o bolso do mais pobre. Famílias que estão cumprindo rigorosamente suas obrigações, mandando os filhos para a escola todos os dias, correm o risco de ter o benefício bloqueado preventivamente.

O bloqueio obriga a mãe de família a enfrentar filas no Cadastro Único para provar, com declarações escolares na mão, que o filho está estudando, uma burocracia que não existiria se a Secretaria Municipal de Educação tivesse feito o lançamento correto dos dados no sistema.

Contraste com a Saúde

O erro se torna ainda mais injustificável quando comparado ao setor de Saúde do próprio município. Enquanto a Educação falha em monitorar seus alunos, a Saúde de Entre Rios conseguiu acompanhar 91,6% das famílias (vacinação e peso), superando a média nacional.

Isso prova que as famílias de Entre Rios são compromissadas e fáceis de localizar. O problema, portanto, está isolado na gestão dos dados escolares.

Acompanhamento Escolar (TAFE) na região para efeito de comparação: 

  • RIO REAL — 98,20%
  • ARAÇÁS — 96,83%
  • ITANAGRA — 96,59%
  • INHAMBUPE — 95,85%
  • MATA DE SÃO JOÃO — 95,44%
  • ACAJUTIBA — 95,35%
  • JANDAÍRA — 94,31%
  • CARDEAL DA SILVA — 92,97%
  • CONDE — 92,46%
  • APORÁ — 92,16%
  • ALAGOINHAS — 89,52%
  • ESPLANADA — 80,69%
  • ENTRE RIOS — 68,10% 


Bahia

Entre os 417 municípios da Bahia, Entre Rios ficou na 413ª colocação no acompanhamento da frequência escolar. Isso coloca a cidade entre as 5 piores do estado neste quesito do Bolsa Família, ficando a frente somente de Nazaré, Ubaitaba, Gongogi e Crisópolis. 

Nordeste: Ficou na posição de 1.709º de 1.794 cidades.

Brasil: Ficou na posição 5.360º de 5.570 cidades.

O Relatório

O documento federal alerta que o município precisa "concentrar esforços" urgentemente para localizar esses alunos "sem informação". O relatório enfatiza que o acompanhamento escolar é obrigatório para evitar a aplicação de "efeitos gradativos" que vão desde a advertência até o cancelamento do benefício.

Enquanto a Prefeitura não resolve o gargalo na comunicação entre as escolas e o sistema do Bolsa Família, resta aos beneficiários guardar todos os comprovantes de matrícula e frequência, pois a qualquer momento podem ser chamados para corrigir um erro que não cometeram.

Trecho extraído do Relatório: 



Fonte dos dados: MDS

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